segunda-feira, 26 de janeiro de 2026


AVANTE!, VISITEI A SEDE DO PCP - PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS

A sede do PCP fica numa das mais movimentadas avenida de Lisbia, a Independência e faz divisa com griffes famosas. O prédio ocupado por eles é o único ponto destoante, diante de tanta oferta de consumo desenfreado, algo a demonstrar o que vem a ser o capitalismo português. Na verdade, os militantes comunistas não estão nem aí para a vizinhança, pois suas preocupações são bem outras. A incessante luta contra este desenfreado avanço da ultra-direita está preocupando não só os partidos comunistas mundo afora, mas todos os possuindo algum bom senso político.
Na estada aqui em Lisboa, descubro o endereço da sede e por essas coincidências da vida, 200 metros do hotel onde estou hospedado. Evidentemente, fui lá conferir a quantas anda o pessoal da lida e luta mas à esquerda, o ainda conseguindo editar o jornal impresso Avante!. Quem me atende é a Ana Guerra, uma senhora comunista de fino trato e que, creio eu, esteja lá pelos seus 60 e poucos anos - como eu. Muito simpática, diz que, no momento em que ali chego, não consegue me levar para conhecer todos os andares, pois ocorrem três reuniões no momento. Permaneço no saguão e me deixa à vontade para vasculhar livros e tudo o mais ali vendido.
Na lanchonete, diz a placa valer para o público em geral, pois a cozinha só funciona para os filiados e funcionários do prédio, por volta de 40 pessoas. Ali acontece uma refeição coletiva diária, ou seja, a comida é feita para o coletivo. Conta do prédio, diz ter ali funcionado um hotel e algumas décadas atrás, o partido somou forças e comprou o espaço. Mostrar que nada foi alterada, nem o balcão de atendimento da entrada. Numa TV ligada um filiado vê TV e o entra-sai é grande, pois como havia me dito, ocorriam três reuniões em andares diferentes. Pergunto das eleições para presidente, diz que o partido obteve 3% dos votos e que na segunda volta, farão o maissensato, somarão forças para não eleger o candidato da ultra-direita.
No saguão vejo três bancas de livros, alguns usados, mas a maioria novos, de militantes e com temas marxistas ou de lutas realizadas mundo afora. No momento, o que mais se vê nas prateleiras são motivos sobre Cuba. Não resisto e trago uma caneca, adesivo, pulseira e pin, tudo por 10 euros. Ana conta da festa do Avante!, famosa por já ter trazido até Chico buarque num dos anos. O evento é anual, ocorre no começo de setembro e movimenta vários países, vindo gente não são do PCdoB, mas também do PT. Conto do amigo bauruense Marcos Resende, que certa vez, se esforçou para que viesse com ele numa dessas festas. Na época, contei os caraminguás e não tive como. Todas são muito animadas e concorrida, um espaço não só de confraternização comunista, mas de união de forças.
Pouco antes de me despedir, diz ter relações cordiais com o Brasil, onde muitos dos seus parentes, se mudaram décadas atrás para Santo André. Pergunto quantos são como ela, comunistas. "Nunca foram, a única comunista na família sou eu", sua resposta. A conversa não pode ser muito encompridada, pois ela, naquele momento cuidado ali da porta, teria que se ausentar e participar de uma das reuniões. Tiro fotos, dou fraterno abraço e volto para as ruas, parando do outro lado da calçada, olhando mais atentamente para o prédio, uns cinco andares, de portas abertas em pleno século XXI, numa demonstração de que, as forças podem ter diminuido ao longo do tempo, porém, pelo que vi e senti da conversa, os comunistas portugueses não desistirão.

domingo, 25 de janeiro de 2026


ANDANÇAS POR LISBOA
1.) A IMPORTÂNCIA E IMPONÊNCIA DE UM CINEMA DE RUA: O SÃO JORGE DE LISBOA

Eu sempre adorei cinemas de rua. Convivi com muitos destes em Bauru. O Cine Bauru, São Paulo, Capri e Vila Rica não me saem da memória, depois o Bauru I e II, todos fechados, alguns derrubados, outros adaptados. Triste sina a dos cinemas de rua. Em Bauru não sobrou nenhum para contar a história. Em algumas cidades brasileiras uns poucos resistem. Ouço repetirem como uma espécie de mantra que o tempo destes já se foi e que o negócio hoje é o cinema de shoppings. Frequento eles, afinal não existe outra opção. Porém, quando vejo um de rua, babo na fronha e morro de amores.
Circulando numa dessas noites aqui por Lisboa, avenida da Liberdade, com um jardim com muito verde em toda sua extensão, num dos lados a imponente edificação do Cine São Jorge. Uma belezura ver a quantidade de gente, não só o rodeando, mas ali em suas entranhas. Com uma programação sempre cheia, até com um pequeno jornal informativo, ele continua cheio, imponente, vigoroso e com um gás renovador. Um velhinho adaptado aos novos tempos, cheio de vida e esbanjando o que falta aos brasileiros.
Acabamos pelas circunstâncias não assistindo nenhum dos seus filmes em cartaz, mas circulando pelo ambiente lotado, na noite de sábado, captamos muito do espírito provocado pelos frequentadores do cinema. A conversa que víamos fluindo pelos cantos e ocupando todos os espaço é revitalizante. "Inaugurado a 24 de fevereiro de 1950 na Avenida da Liberdade, o Cinema São Jorge é um ícone cultural de Lisboa, projetado pelo arquiteto Fernando Silva. Distinguido pelo Prémio Valmor, destacou-se pela modernidade e grande capacidade, sendo adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa em 2001. Hoje, após requalificações, é um espaço multifacetado com três salas, focando-se em festivais, cinema português e eventos culturais", leio a respeito e fico mais encantado.
Um antigo cinema adquirido pela Câmara Municipal da cidade e disponibilizado, ou seja, só com a intenção de sua continuidade como expoente cultural. Algo inimaginável dentro de muitas administrações públicas brasileiras, notadamente nas fundamentalistas como a bauruense de Suéllen Rosin. Leio aqui que, a Câmara o comprou em 2001, evitando a sua degradação e garantindo a sua vocação cultural. Quando alguém com mentalidade bolsonarista faria algo de idêntico teor? Respondo: nunca. Lugares assim são mágicos, mantendo em seu estatuto de sala de referência na capital, a celebração a sétima arte e acolhendo produções nacionais e internacionais. Algo assim no Brasil, só em grandes capitais. Pelo interior, restam os cinemas de shoppings. Nele, felizmente, assisti numa desprestigiada sessão, o celebrado "O Agente Secreto".

sábado, 24 de janeiro de 2026

REALATOS PORTENHOS / LATINOS (154)


O TAXISTA DE LISBOA É DA ROTA PAULISTANA
Gozando de licença prêmio da Polícia Militar do estado de São Paulo por alguns meses, o grandalhão de 2m02 de altura, calçando perto da numeração 50, atuou na ROTA por muitos anos e se vangloria de ter matado alguns "vagabundos" ao longo de sua carreira fardado. 

Chegamos o quarteto em viagem por Portugal de trem, vindo da cidade de Porto, pelo terminal Oriente, carregando um monte de malas, impossíveis de serem transportados por um Uber. O jeito foi procurar por um táxi maior. Encontramos um, por sorte dirigido por um brasileiro e dos mais simpáticos, tipo conversador, meia idade, algo em torno de uns 55 anos. 

Chegamos cinco minutos atrasados. Até então ele estava aguardando cleintes e quando o abordamos, havia se comprometido com um grupo de turistas ingleses, também chegando na cidade. Esperamos seu retorno por 20 minutos. Ele volta, muiuto solicito, adentra com seu carroaté o meio do terminal de ônibus, onde estávamos.Não permite que ninguém pegue mala nenhuma. Forte, faz tudo sózinho e acomoda toda nossa bagagem com a maior facilidade, demonstrando ser bastante forte.

A viagem começa e as surpresas começam a pipocar. O grandão fala pelos cotovelos, isso parece lhe fazer bem, tipo desabafar. Um agradável papo. Conta de onde veio e de como caiu ali dirigindo um táxi num terminal ferroviário de Lisboa. Diz ter chegado alguns meses atrás. Não se faz de rogado, conta detalhes de sua procedência. É um policial militar licenciado, ou seja, no pleno gozo de uma justa Licença Prêmio. Atuou, ou melhor, atua na ROTA da polícia paulista. Diz estava precisando muiuto espairecer, após aquele desgastante trabalho de combater a criminalidade. Quando conquistou a tão almejada licença, ganhou o mundo. 

Primeiramente percorre alguns paíes da Europa e finaliza tudo em Lisboa. Para arrumar essa atividade de taxista foi um pulo. Nos disse que, "quem tem amigos, nunca está desamparado". Logo estava ao volante, com a sugestão de atuar como taxista. Acabou com um carro maior e no terminal de trens Oriente, o segundo maior da cidade. E nós, os quatro intrépidos viajantes, ao descer e procurar por um veículo maior, damos de cara justamente com ele. Cinco brasileiros num carro e com destino um hotel no centro da cidade. E o pegamos num momento quando estava com muita vontade de conversar. E o danado não parou um só instante de contar suas peripécias. Relata histórias incríveis e mirabolantes, como a ocorrida na véspera do Natal, quando numa praça em Lisbioa, viu um senhor agredindo uma criança, provavelmente seu próprio filho. Não hesitou e o esbofeteou de cima em baixo, sem dó e piedade. Resumindo, sangrou o sujeito.

Não que tivesse agido errado, pois ver uma criança sendo agredida, fere com os brios de qualquer um. Diz ter agido por puro instinto e que, agiu da mesma forma quando nas ações atuando como policial. Preferimos que o mesmo não entrasse em detalhes, muito menos de seus métodos de trabalho. Tentamos mudar de assunto. O fato é que, estava cansado, estressado e a licença prêmio acabou sendo conquistada após muito esforço. Ele falava e estávamos ali patra escutar, ou seja, optamos por quanto menos saber melhor. Assim chegamos ao hotel e ele descarrega sózinho todas nossas malas.

Logo a seguir ele se vai e todos respiram fundos. Leo Lima, um que nos acompanha nessa estada, rindo me diz: "Preferiu permanecer calado, né Henrique?". Sim, ainda mais por um detalhe meio que sórdido, sua mãe reside muito próxima de Bauru, numa cidade vizinha - veja a coincidência - e assim sendo, o melhor mesmo é não possuir nenhum tipo de vínculo. Aqui neste espaço relato algumas dessas coincidências da vida, geradoras de assunto para escrevinhações variadas, relatos de viagem. Achei essa, como as demais aqui já relatadas, uma interessante, porém, o faço omitindo muitos detalhes e sem citação de nomes. E assim segue nossa vaigem, com uma surpresa em cada esquina.

VIAJAR DE TREM É TUDO DE BOM, DA CIDADE DO PORTO PARA LISBOA
Não me canso de ficar batendo na mesma tecla um infinidade de vezes: sou dos que criminalizariam os responsáveis pelo fim dos trens de passageros no Brasil. Isso é uma longa história e já escrevi muito dela por aqui. Sempre que volto a andar num trem europeu, penso no que poderíamos hoje estar desfrutand ose nossa malha não tivesse sido destruída e trocada pelo modal rodoviário. Isto tudo, sabemos, foi mais que um crime, ainda impune. 

Isso uma coisa, outra é pegar um trem que sai no horário e chega quase todos os dias dentro do horário. Vou andar muito de trem nessa viagem européia. Começo hoje com a saída da cidade do Porto e a ida até Lisboa. Perto de umas três horas de viagem. Tivemos a sorte de nossos assentos terem sido reservados para o vagão onde encontrava-se a lanchonete. Saudade dos tresn da FEPASA, onde meu pai trabalhou uma vida inteira e fui tantas vezes de Bauru a São Paulo. 

O trem lusitano e europeu corre exatamente dentro do horário combinado, tanto que, na chegada em Lisboa, descemos as malas e enquanto procurávamos pela cadeira de rodas, facilitando a circulação da Edna Cunha Lima, todas as malas já na plataforma, Ana bia já nela, o trem fecha as portas e parte. Não sabíamos, sua permanência era de apenas cinco minutos. Partimos os três, deixando-a lá na gare Oriente. O comissário de bordo foi rápido, ligou para a de onde partimos e lavaram Ana para uma sala de espera. Descemos na estação seguinte e num outro trem, partindo em quinze minutos, estávamos voltando para reencontrá-la. Foi um susto, nada mais. Descemos e outro comissários já nos esperava, levando até Ana e as malas estavam. Não teve nem como reclamar. Chamo isso de eficiência.

algo de Bauru, lá no interior paulista
PÔ MÁRCIO, ERA CONTRA E É O PRIMEIRO A CONTRATAR. COMO VOCÊ QUER QUE TE APOIEMOS??? NÃO DÁ...
"Política: Vereador Márcio Teixeira (PL), que votou contra o 3º assessor é o primeiro a nomear o cargo. Após votar não ao projeto que criou o cargo de 3º assessor parlamentar, o vereador Márcio Teixeira (PL) tornou-se o primeiro parlamentar a efetivar a nomeação para a nova função em seu gabinete. O Projeto de Lei foi aprovado em sessão ordinária com 15 votos favoráveis e seis contrários, prevendo a criação de um assessor adicional para cada vereador. Na justificativa apresentada pela Mesa Diretora, o texto aponta a “alta necessidade dos serviços prestados pelos gabinetes, diante da crescente demanda de atendimento aos munícipes, acompanhando o crescimento do município”.
O que chamou atenção foi a publicação no Diário Oficial de Bauru, no dia 15 de janeiro de 2025, que oficializou a nomeação de G.H. S. S. para o cargo em comissão de 3º assessor parlamentar do vereador Márcio Teixeira. A função prevê remuneração mensal de R$ 8.099,23, além de benefícios.
Durante a votação do projeto, o vereador posicionou-se contra a criação do cargo, alinhando-se ao entendimento dos demais parlamentares que votaram contra o PL, de que a medida representaria um custo desnecessário aos cofres públicos", Bauru Interior Notícias.

"A história é a seguinte: a Câmara de Bauru votou pela possibilidade de contratação de um 3º assessor para cada vereador. Eles já têm dois. Um dos vereadores que votaram contra o projeto - que foi aprovado - agora é o primeiro a anunciar a contratação de seu 3º assessor. Via de regra, os crimes de "rachadinha", como ficaram conhecidos no Brasil, surgem justamente da devolução ao parlamentar, por baixo do pano, de parte dos vencimentos de assessores e/ou funcionários de gabinete. É preciso prever esta hipótese, diante da avalanche de "tertius" que pode desabar na Câmara, de agora em diante. Afinal, aqui mesmo em Bauru, em tempos passados, tivemos um caso que acabou em cadeia para o responsável. Não queremos este retrocesso", jornalista Ricardo de Callis Pesce.

UM DIA TIVEMOS UM AEROCLUBE EM BAURU - A especulação imobiliária conseguiu lotear a área, encherão de prédios. Nunca mais poderão soltar pipas, aviões levantarem vôo ou a possibilidade de um joguinho de bola no lugar.
CHARGE DO AMORIM É PERFEITA PARA ILUSTRAR O QUE PENSO

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

PRECONCEITO AO SAPO BARBUDO (224)


NO RETORNO DA CATEDRAL DA SÉ, NO PORTO, ENTRAMOS NA PEQUENA MERCEARIA DE DONA MARIA
Voltávamos de vista na catedral católica da Sé, na cidade do Porto, numa movimentada subidinha. Queríamos um bom vinho, pois a chuva havia abrandado bocadinho, porém o frio estava mais do que intenso, diria mesmo, cortante na beirada do rio Douro. Diante de nós, três vendas com vinhos expostos nas prateleiras, bem visíveis para quem passava na rua. Duas mais requintadas, pouco mais de modernidade - ambas com atendentes asiáticos - e outra, a primeira na subida, mais modesta. Escolhemos essa e acertamos em cheio.

Do lado de trás do balcão somente uma pessoa, dona Maria. Ela não gosta muito de declinar seu nome para estranhos, daí a trato aqui somente pelo primeiro nome. Atendia um senhor antes da gente, a esperamos e depois dissemos a que viemos, um vinho. Ela nos mostra vários e escolhemos um deles. Neste interim, conversamos um pouco e ela se abre conosco sobre como cobra seus preços: "Estou aqui há mais de cinquenta anos. Os demais chegaram muito tempo depois. Veja esta garrafa de água que estás a levar. Pagas aqui 1 euro e nos demais de 1,50 a 2 euros. Eu só cobro o preço justo. Assim sobrevivo".

Foi o bastante para prolongar pouco mais a conversa. Ela trabalha só na maioria do tempo e atua no ramo de pequena mercearia, até com frutas e legumes. Nas prateleiras o que chama a atenção são os vinhos e outras bebidas alcoólicas. Pudera, com o frio que faz na bairada do rio nesta época do ano, nada como acalorar o interior do corpo. Possui uma forma peculiar de descer os vinhos que está a sugerir sejam levados. Observo atentamente a cena e me encanto, primeiro pela simplicidade, depois por tentar repassar o máximo de informações, algo adquirido ao longo dos anos, não para convencer o então cliente, mas para que leve para sua casa algo realmente que o satisfaça. É o que observo ser o velho e irresistível modo antigo português de tocar a vida.

Eu e Ana Bia, levamos não só um bom vinho, como uma garrafa de água e uma pequena caixinha, para presente, com cinco garrafinhas do famoso vinho do Porto. Ela mesma nos indicou que, levando separadamente ficariam mais caro, daí, na caixinha muito mais em conta. Me disse não gostar de ser fotografada e só o fazia por achar o casal de turistas diante de si muito conversador e atenciosos para com ela e seu pequeno comércio. Estávamos tocados e ao sair, iniciando a tal subidinha de retorno ao hotel, Ana Bia me diz algo mais, por mim também captado e que, se por ali continuássemos seria nossa rotina: "Tivessemos mais tempo por aqui, voltaria todos os dias". Somos assim, frequentamos lugares com muito mais pompa, mas quando nos deparamos com um, tendo do outro lado do balcão uma emérita dona Maria, somos imediatamente arrebatados e mesmo, sem um lugar para sentar em seu estabelecimento, voltaríamos com o maior prazer.

Dona Maria personifica um tipo quase em extinção hoje no mundo atual, resistindo a passagem do tempo, mantendo suas portas abertas na cara e na coragem, lutando com unhas e dentes para nao fechar as portas. Não quer mudar nada, nem pensa em modernizar ou alterar a forma como atua. Vasculhamos cidades em busca de pessoas assim.

O CARA É ATÉ PIOR QUE JAIR BOLSONARO E FOI PARA O SEGUNDO TURNO AQUI EM PORTUGAL - VENDO A EXTREMA DIREITA LUDIBRIANDO A FÉ POPULAR POR ONDE ANDE
Aqui do Porto, onde me encontro, ouço de um funcionário do hotel, beirando os 70 anos: "Estou cada dia mais preocupado com o destino do meu país. Esse sujeito do partido Chega é um ex-comentarista esportivo, um que foi abocanhando pouco a pouco, com um discursodo jeito que muitos querem ouvir e sabe-se, rodeado de gente da pior espécie, incompetente, totalmente inqualificado e não só despreparado, mas pronto para com seu discursinho barato, destruir tudo o que foi duramente conquistado ao longo de décadas. Representa o périgoi da extrema-direita se aproximando cada vez mais do poder. Eminente perigo, que muitos fingem não reconhecer. Como conseguimos que um sujeito desses chegue ao segundo turno?".

Portugal teve uma eleição na sua 1ª volta, o nosso 1º Turno e com muitos candidatos à Presidência, algo ficou fragmentado, daí o candidato da ultradireita, este dos outdoors consegue, após várias tentativas, chegar ao que tanto almejou, o poder a qualquer custo. E agora disputa com o que dentre todos os demais, chegou lá. E a dipusta se acirra, esquenta e ferve o país. Já vimos este filme, foi quando o capiroto Bolsonaro chegou ao poder e fez o que fez, colocando o país quase a se perder num mar de escândalos. Se dizem contra a corrupção, mas são os mais corruptos deste mundo. Ouço aqui, este ultradireitista não se difere em nada do chavão. Vale nada.

Pelo que o jornal Público expõe em sua primeira página, André Ventura tem 30% dos votos e o socialista, aglutinando o país em pé, soberano e pujante, Antono José Ventura, ufa!, chega!aos 70%. Os Le Pen franceses tentam até hoje e se enroscam em tramas envolvendo corrupção. Dessa, não escapa um sequer destes abomináveis se dizendo salvadores da Pátria. Ventura, o desaventurado, sustenta uma batalha entre esquerda e direita, porém, muito claro, a disputa se dá entre populismo barato, pueril e democracia/liberalismo. Luta-se contra um perigoso e predatório mundo onde tudo é possível e permitido. A extrema-direita foi e sempre será bandida, criminosa, o que de temos no mundo da política.

“O fascismo sempre surge de um espírito provinciano, de uma falta de conhecimento dos problemas reais e da rejeição das pessoas – por preguiça, preconceito, ganância ou ignorância – a dar um significado mais profundo às suas vidas. Pior ainda, ostentam-se da sua ignorância e procuram o sucesso para si mesmos ou para o seu grupo, por presunção, afirmações sem sustento e uma falsa exibição de boas características, em vez de apelar à verdadeira habilidade, experiência ou reflexão cultural. O fascismo não pode ser combatido se não reconhecermos que não é mais do que o lado estúpido, patético e frustrado de nós mesmos e do qual devemos nos envergonhar", FEDERICO FELLINI, em conversa com NATÁLIA GINZBURG (citado por Rob Riemen no seu livro «Para combater esta era»). Luto contra o fascismo com todas minhas forças. É o que me resta fazer neste mundo, lutar contra os pervertidos.

EU QUERO AS MINHAS MARCAS
"Eu não entendo como é que um ator pode chegar na minha idade e tirar as rugas. O Mário Lago dizia: 'as minhas rugas são as medalhas que eu conquistei na minha vida'. Eu vou e peço o cara e me vai ficar tudo lisinho com cara de bunda? Não, eu quero as minhas marcas."
Osmar Prado,
No programa Sem Censura
O que você acha?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PALANQUE - USE SEU MEGAFONE (211)


COMO TROMBO COM BRASILEIROS TRABALHANDO AQUI PELA CIDADE DO PORTO
É uma loucura o que tenho encontrado de jovens brasileiros, com pouca formação técnica ou mesmo universitária, se aventurando aqui na Europa. Neste momento escrevo somente pelo Porto, uma das principais cidades portuguesas. Trombo com brasileiros por todos os lados. Muitos são turistas, mas a grande maioria está por aqui trabalhando. Alguns me disseram, Porto é uma ótima porta de entrada para outros países. O que mais me espanta é que, todos os que tenho visto, nenhum até agora possui formação para ocupar cargos ditos como mais qualificados, ou seja, com melhores remunerações. Aqui no hotel onde estou hospedado, con tei são doze funcionários, desde a portaria, buffet, lavanderia e de arrumação dos quartos. Doze num pequeno hotel. E a imensa maioria jovens, de 20 até uns 30 anos.

Primeiro, constato com isso, algo que passou muito pela cabeça quando tinha essa idade. Quem já não pensou quando jovem em bater asase ir se aventurar mundo afora? Eu já e até o Bananinha, o filho do presidiário Jair Bolsonaro já o fez, como hamburgueiro lá pelas bandas norte-americanas. E olha que, no caso dele, a renda familiar, pelo que ssabe nunca deixou a desejar. Por outro lado, a imensa maioria dos que aqui estão o fazem em busca da realização de um sonho, o de amealhar grana e até voltar um dia, mas numa condição bem diferente da que está indo.

Converso com alguns neste meu momento por aqui. Um de Goiânia trablhando na portaria e morando numa cidadezinha próxima do Porto. O custo por aqui é bem diferente de morar perto. O sistema de trens funciona que é uma beleza e a estação centrão de São Bento vive cheia de brasileiros indo e vindo. Este me conta, a maioria faz como ele, mora nas cercanias, onde o custo de vida é bem mais baixo e assim se conseguer guardar alguma grana. A camareira que hoje nos atendeu é de São José do Rio Preto, está aqui perto de quatro anos, arrumou namorado brasileiro e fazem esse transporte diário de trens até onde mora. A estação central fica há 200 metros do hotel. No buffet do café da manhã, outra muito simpática, essa de Campinas, sorridente e sem muito tempo para conversar, diz não ter do que reclamar. "Está difícil, pois Portugal também passa poor uma crise. A cidade e o hotel estão mais vazios que alguns anos atrás, mas continuo acreditando que tudo pode melhorar", me diz.

Uma dessas, família toda do interior do Paraná, disse ter vindo com a cara e a coragem. De sua história, algo me chamou muito a atenção, quando conta, sem complexo de inferioridade, ter comigo pela primeira vez o tal do escargot e também o tradicional, pelo menos por aqui, bacalhau. Disse não ter tido oportunidade de fazê-lo no Brasil e hoje, algo contado com muito orgulho, mesmo trabalhando num serviço considerado subalterno, consegue há três anos, trazer a mãe uma vez por ano para vir visitá-la. Ela conta isso com o peito estufado e diz mais, está se esforçando para trazê-la em definitivo, ainda se encontrando no trabalho de convencimento junto a ela.

O fato é que tenho pouco tempo por aqui, mas não resisto, em cada reencontro com um brasileiro, me aproximo e tento trocar algum diálogo. Em primeiro lugar, de onde é e aí começamos a entabular uma conversa, que em muitos casos se estende bocadinho mais. Ana Bia trouxe na mala uma pacote de "Sonho de Valsa" e por onde passamos, vendo brasileiros, deixa alguns. Era para ser distribuído na viagem toda, mas pela quantidade de brasileiros encontrados, talve não cheguem na terceira cidade. Aqui mesmo no hotel quando entregou alguns para um brasileiro, ouviu algo deste a recompensando: "Puxa, faz mais de três anos que não como um destes. Aqui até tem lugares onde você encontra, mas são caros. Outro dia numa loja de produtos brasileiros, um cafezinho ao nosso estilo estava por seis euros. Não dá, né!".

E assim sigo, hoje meu terceiro dia e as histórias se repetem e se complementam. As junto com gosto, ouço com prazer e assim, além de visitar lugares, rever outros, vou trombando com brasileiros e buscando uma aproximação calorosa, enfim, todos partem para longe em busca de algo, a realização de um sonho ou até mesmo se aventurar, algo bem próprio da idade. O jovem é impetuoso e ciente de que, se fizer algo neste seu momento, a chance de dar certo será muito mais alta do que na meia idade. E assim, eles estão pela aí, sendo, fazendo e acontecendo.

SONDANDO ALGO DAS ELEIÇÕES EM PORTUGAL NA TABACARIA NICOLETO, NO PORTO
Percorro as cidades por onde ando na busca de um jornal local. Aqui no Porto, ainda existem alguns e junto deles, os da capital e cidades vizinhas. O que é difícil de encontrar são as bancas. Estou hospedado aqui no Porto numa região central, a Praça da Batalha e nas andanças destes três dias, não havia visto nenhuma. Hoje, final da tarde, saio para bater perna depois de um dia de intensa chuva. Parou de chover, convido o Leo Lima, deixamos as mulheres no hotel e vamos comprar vinho e sardinha num supermercado aqui perto. Prolongamos o percurso e nisso, num momento em que a chuva recomeça, encontro uma banca, como a antiga do seu Orlando de Bauru, instalada numa pequena loja. Nos refugiamos da chuva e fico a observar a quantidade ainda de jornais expostos sobre o balcão.

Meu interesse por jornais é descobrei dentre estes qual o jornal da Esquerda portuguesa. Faço a pergunta para o senhor que me atende: "Sou brasileiro e gostaria de comprar um jornal local. Poderia me indicar qual o do segmento da Esquerda?". Ele se espanta com a minha pergunta, mas não regateia e passa a falar de todos eles. Diz um ser da diteita, outros tantos de cunho conservadores e me indica a leitura do diário JN - Jornal de Notícias, vendido ao preço de 1,60 euros. Na verdade queria saber as novidades do segundo turno das eleições presidenciais portuguesas e ao saber o meu interesse, o casal, Seu Alberto e sua esposa, Maria da Conceição, junto do filho Carlos, este com 50 anos, começam a descer a lenha em alguns políticos, dentre os que conheço e os cito, como o ex-primeiro ministro Sócrates. 

Daí, foi um pulo para perguntar a ele, sobre o interesse que as pessoas estão perdendo pela leitura do diário de papel. "Hoje deve estar bem complicado explicar para as futuras gerações o que foi a ditadura salazarista, o atraso existente em Portugal, revertido com a Revolução dos Cravos, pois o jovem que não vivenciou isso, pode achar que está mentindo a ele". Ele olha para mim mais sério e me diz: "Salazar não foi tão ruim como dizem. Saiba que, ele fez muito pela Educação e os últimos aeroportos construídos no país foram em sua época". Percebi estar diante de salazaristas, ou seja, conservadores. Prossegui com a conversa naturalmente e na sequência, tento agir como se nada estivessse acontecendo e pergunto sobre uma político português que gosto muito, Mário Soares. Seu Alberto diz ser "avacalhado", no que o filho Alberto interfere e diz, que este fez algo de bom para Portugal.

Não teve como esconder, daí seu Alberto abre o jogo e diz que todos em sua casa são de "direita", ou seja, votarão no candidato os representando, o líder do Chega, André Ventura. "Nósestamos cansados de promessas. Não gostamos da Esquerda e pronto. É hora de mudar". Percebo que não teria como ficar argumentando contra, enfim, na qualidade de brasileiro, queria só comprar um jornal e me inteirar da real probabilidade dessa "direita" raivosa e reacionária vencer as eleições. Foi uma conversa amigável, onde na sequência seu Alberto traz para me mostrar fotos suas na defesa da então colônia de Moçambique. Ou seja, ele lutou nas tropas de Salazar na África, daí nunca mais deixou de querer bem o então ditador. Mudando o rumo da prosa me diz que, uma década atrás vendia 60 exemplares do maior jornal português, aos domingos, o Expresso e hoje, não consegue vender 10.

A chuva passa e assim nos despedimos. Não havia muito mais o que conversar por ali. Com o jornal debaixo do braço, depois fico sabendo que o JN não é de esquerda e sim, um liberal que simplesmente não mente e trabalha dentro da verdade factual dos fatos. Com a conversa percebo que, muitos dos idosos do país estão a preferir apoiar aqueles que, chegando ao poder, os apunhalam, pois exterminam com as leis de garantias trabalhistas, privatizando tudo o que encontram pela frente. Adeptos do Estado Mínimo, chegam e os primeiros a perderem com eles no poder são sempre os menos favorecidos, ou seja, gente como essa família que, com sangue, suor e lágrimas toca seu pequeno negócio, aberto no mesmo local, prédio próprio, há mais de 40 anos e fazendo o Chega conquistar o Governo, quando terão mais uma decepção em suas vidas. Talvez a maior de todas.

NÃO DESLIGUE A TV, VAMOS TODOS PRAS RUAS...
Faça o melhor usso possível da TV, mantendo-a ligada para sua informação - e divertimento, é claro -, mas não permita que ela o domine. Neste momento, o melhor que temos a fazer, até para nosso futuro é sair pras ruas e juntarmos aos que lutam contra essa imbecilidade toda sendo armada e proposta. Se bobearmos e deixarmos a coisa ir sendo levada adiante, como se não fosse conosco, com certeza, estaremos num mato e sem cachorro num curto espaço de tempo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

FRASES (265)


CHOVIA, ELES REUNIDOS DEBAIXO DA MARQUISE DO BATALHA, NO PORTO, FUI ASSUNTAR
A chuva não pára de cair na cidade do Porto, quase ininterrupta. Chegamos no almoço e antes de um breve descanso, recuperação de forças para voltar à carga andativa. Defronte o hotel o Centro Cultural Batalha, um complexo com cinema, livraria, café, shows e espaço para eventos variados, tudo reunido em três andares na praça da Batalha, defronte o hotel onde estamos hospedados. O lugar nos atraiu para uma sentadinha na mesa do bar, folheando livros sobre cinema e conversando. Na frente, se escondendo da chuva, alguns idosos conversavam em voz alta. A conversa deles dava pra ouvir de longe. Nem a chuva disfarçava.

Não resisti. O pessoal que estava comigo lá sentado falando de cinema e volto para a rua e além de assuntar, me aproximo e puxo conversa. Todos eles são portugueses natos e estão preocupados com as eleições, a tal da segunda volta, quando o país pode ser entregue de bandeja para um representante da extrema-direita, pior do que o nosso Jair Condenado Bolsonaro. Velhos - entre os quais me incluo - não gostamos de mudanças bruscas, pois essas acarretam perdas de inolvidável expressão em nossas vidas.

Comentavam sobre quem poderia estar mais ao lado deles neste momento, quando o soldo mensal nem sempre preenche tudo o que temos de compromissos pelas frente. Eu, ouço todos e sem pedantismo, acabo tendo a oportunidade de dar minha opinião. "FAlo pelo Brasil, onde tivemos um presidente da extrema-direita. Este chegou propondo novidades, mas só tivemos surpresas desagradáveis. A primeira delas diz respeito a nós, aposentados. Se bobear estes, a extrema-direita reduz nossos soldos sem só, muito menos piedade. Já os da esquerda, olham com atenção para atendimento de saúde, transporte, educação e seguram nossa barra. Não existe um da extrema-direita que não tenha exterminado com direitos atéentão garantidos. Eles só pensam em privatizar tudo, se desfazem de tudo e lá na frente, sobra sempre para nós", foi o que lhes disse.nos encurralam

Meu tempo de permanência era curto, pois queríamos voltar a perambular pelas ruas do Porto, após a trégua da chuva. Tive que me despedir e creio eu, deixei-os com uma pequena pulga atrás da orelha. Eles conhecem algo de Bolsonaro e não ficaram surpresos com o que lhes disse. Um deles, me ajudou e confirmou: "Não podemos cair na esparrela direitista. Chegam propondo mundos e fundos e depois, nosencurralam feio". Para mim, mesmo curta, foi uma conversa das mais proveitosas. Espero reencontrá-los em breve, antes de partir daqui, pois segundo um destes me disse, estão sempre no mesmo lugar, quase todos os dias e num como hoje, chovendo, o grupo é até maior que nos demais dias.

EU E PC VASCONCELOS HABLANDO DE FUTEBOL NO PORTO
Encontros mais do que improváveis. Num restaurante aqui no Porto, numa mesa quase ao lado da nossa, o comentarista esportivo Paulo Cesar Vasconcelos, o PC, do canal esportivo Sport TV. Não resisti e fui tietar. Falamos de Brasil, Bauru, "terra do basquete feminino" - coisa do passado -, Noroeste, Flamengo e futebol. Ele é muito simpático. Estava acompanhado da esposa, férias curtas no Porto e bebericando um bom vinho enquanto almoçava. Ele é um dos que mais gosto de ouvir, sensato, centrado e sabendo onde pisa - e o que fala. Umcomentarista de responsa.

Este negócio de tietar conhecidos é um tanto complicado. Não gosto de interromper momentos de intimidade de ninguém. Neste caso, o fiz. PC estava bem próximo de nós e além de tudo, diante de muitos hoje se intitulando ententendidos deste negócio da bola, ele se sobressai, pois dentro da sua simplicidade, sem ser pedante ou querend ose mostar, faz e acontece. E foi de uma simpatia, comprovando ser tudo aquilo e até mais do que já imaginava. É muito bom poder prosear no sentido exato desta palavra, longe de casa, reencontrando gente comungando de algo próximo, trocando figurinhas e interagindo de forma agradável. PC é, dentro do quadro de comentaristas globais, alguém mais que diferenciado. Está num estágio avançado neste quesito e ali no restaurante, ele tomando um vinho em sua mesa, eu na minha com os meus, pudemos por alguns instantes juntar algo e até, registrar este momento.

e pra não dizer que nada escrevi de Bauru e dos absurdos suellistas
NOVO MASCOTE BAURUENSE - CASTANHAS SUPERFATURADAS, COM A BENÇÃO DA incomPREFEITA SUÉLLEN ROSIN
Mais uma inconfundível conquista desta arrebatadora administração familiar. Uma descabida compra de CASTANHA, numa quantidade absurda e com um preço reconhecidamente superfaturado. Ocorre a denúncia e o que ocorre? A compra é cancelada, porém, por pouco mais uma ocorrência pra constar como grandes realizações da alcaide, Suéllen Rosin. A criatividade corre solta pelas redes sociais, não só denunciando, mas ironizando as constantes pisadas no tomate.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

DROPS - HISTÓRIAS REALMENTE ACONTECIDAS (248)


AS ANDANÇAS SE DARÃO COM ESTES - É COM ESTES QUE ANDO
A história dessa viagem iniciada ontem é bonita. Aqui a conto, pois gosto demais de conseguir ainda colocar o "bloco na rua" e quando o faço, mais prazer e contentamento, quando histórias de vida se juntam e se misturam, dando aquele toque irresistível, salutar de congraçamento humano. Eu e Ana Bia, a companheira de todas as horas, juntamos nossos caraminguás para conseguir se perder pela aí, pelo menos uma vez ao ano. Mais que um luxo ainda conseguir realizar este intento. O bicho pega feio pela aí, sabemos disso e não somos indiferentes a ele. Eu aos 65 e ela aos 58, nos desdobramos e neste momento iniciamos mais um passeio. 

Começamos pelo Porto, uma cidade portuguesa onde já estivemos uma vez e voltamos exatamente para dar continuidade a algo feito com grande prazer, podendo ter alguma continuidade neste momento. Essa viagem começa em Guarulhos, ali no aeroporto quando nos encontramos com a professora Edna Cunha Lima, 80 anos, viúva, dois filhos e hoje residindo em Recife PE. Ela foi uma sumidade no mundo do Design nacional e junto com o marido, Guilherme Cunha Lima, fizeram história por onde atuaram. Imenso prazer em poder viajar ao seu lado e mais que isso, ouvir suas histórias e presenciar seu charmoso sorriso. Em julho passado a levamos junto de nós para Buenos Aires, num Congresso Acadêmico e depois, mais que justo, por todas as andanças buenaristas. 

Neste momento, tudo foi um pouco diferente. Ela, viaja só do Recife até Guarulhos, onde nos encontramos. O trio adentra o voo da TAP portuguesa e por mais de dez horas, compartilhamos assentos próximos, sentadinhos, os três com os pés inchando bocadinho, porém, altivos por tudo o que viria pela frente. A surpresa maior foi na chegada, onde nos aguardavaseu filho Leo Cunha Lima, 50 anos, residente há 15 anos na Nova ZelÂndia, do outro lado do mundo. Fez uma viagem e tanto, saindo da capital Wellington, com destino a Cingapura, depois Frankfurt e só depois para o Porto. Foram mais de 24 no ar, tudo para rever e ficar uns dias ao lado da mãe. Se viram pela última vez, quandodo falecimento do pai, 3 anos atrás e cada reencontro, mais que uma festa. Eu e Ana pudemos presenciar este rico momento.

A partir do encontro estava formado o quarteto que irá permear essa nova aventura, algo começado já no aeroporto, quando Edna traz consigo, locada no Recife uma cadeira de rodas. Ela será utilizada para facilitar as andanças. Na maioria dos percursos, circulará conduzida por nós e quando nos locais, andará normalmente, sem se cansar. Uma peça da cadeira se despreende e da saga para sua recuperação, conhecemos todos um pouco mais das entranhas de um aeroporto portugês. Fomos todos muito bem atendidos e a peça foi recuperada. De tudo, eu vendo muitos brasileiros trabalhando junto de portugueses, pergunto para um simpática portuguesa do setor de Achados Perdidos: "Como é trabalhar ao lado de um brasileiro?". Ela, ri e comenta que os brasileiros possuem um defeito inconsertável: "Chegam para a gente peguntando se podem fazer uma perguntinha e quando vemos já fizeram cinquenta". Muito sério o serviço de táxis do aeroporto e num carro para quatro, com muitas malas, pagamos, pasmem, exatamente o constante do taximetro.  

Com um fuso horário de três horas mais do que a brasileira, chegamos ao hotel Legendary, onde já estivemos uma vez, na praça do Batalha, bem defronte uma linda edificação cultura, com cinemas, atravessando a rua de paralelepípedos. Choveu forte o dia todo, porém, para nossa felicidade, a partir de nossa chegada somente uma leva garoa. Indstalados e com fome, indicados pela recepção do hotel, queríamos um localpróximo para comer. O escolhido foi um na praça, o Java Café Restaurante, com layout antigo e aconchegante. Um belo lugar e melhor ainda pela acolhida. Nada como um peixe local para a recepção e na saída, após muita conversa com garçons e o proprietário, com promessas de voltar, ganhamos uma linda caneca colorida com a marca do lugar. 

Cansados, encerramos o dia conversando com o entendido em vinho, o sr Antonio, nosso conhecido da viagem anterior, atendente principal no bardo hotel, tendo atuado uma vida inteira com artes gráficas, hoje repassa a todos seus conhecimentos no mundo das bebidas. Uma conversa que, com certeza, se estenderá pelos próximos dias. Dentre o que já nos passou, indicou vinhos para uma compra no belo supermercado Pingo Doce e também na escolha de sardinhas enlatadas, algo que eu e o Leo já nos enfronhamos, pois, pelo que vejo, glutões como somos, não queremos errar nas escolhas. Com a chuva coemndo solta lá fora, cansados pela longa viagem, não cumprimos agenda no tour pensado para a primeira noite e nos recolhemos mais cedo, já pensando no dia seguinte. Mais que estar numa viagem, conhecendo lugares novos para todos nós, o melhor de tudo deverá ser a  convivência destes quatro, já se inteirando sobre a segunda volta, o 2º turno da eleição presidencial portuguesa, quando a extrema-direita possui muitas chances de chegar ao poder. O quarteto, todos com linhagem muito mais à esquerda, falamos muito de política e eu, como não podia deixar, minha primeira compra no país foi o jornal Expresso, que na edição de final de semana, traz uma bela revista, a "E" e um livro de poemas de, nada menos que Camões. Minha leitura para o hotem, depois das escrevinhações estava mais que garantida. Confesso, além do jornal, trouxe três livros para a empreitada destes dias.

Continuaremos a  nos ver por aqui em escritos feitos nos prováveis intervalos de passeios e andanças. 


DEFININDO MELHOR O QUE NOS DEPARAMOS PELA AÍ, PORTUGAL CORRENDO MUITOS RISCOS